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Morteza Motahhari: o filósofo da República Iraniana

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Segundo as tradições xiitas o tempo do Imã oculto é um tempo intermediário entre tempos assim como o mundo sutil, o mundo imaginal, é intermediário entre o inteligível e o sensível. Sua história, ou sua hiero-história, na consciência de seus seguidores, é a maturação desse tempo intermediário até a transformação do tempo em outro tempo, o tempo da eternidade. Na tradição o  visionário, o atento, o estudioso, o devoto está, portanto, "entre tempos". Na pessoa do décimo segundo Imã, que não trará um novo Livro, uma nova Lei, mas sim o significado oculto de tudo o que o precedeu.  O mistério mais profundo da história humana, porque esse mistério não pode ser confinado dentro de seus limites. Mas, enquanto não chegar esse tempo precisa-se de guias. Essa é a doutrina do Jurista tutelador da República Islâmica do Irã. Um dos guias da revolução islâmica e ideólogo dessa perspectiva é Morteza Motahhari, filósofo, clérigo, é considerado o grande nome da República Islâmica,  fundad...

A ideologia que molda a Guarda Revolucionária do Irã

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Devido ao atual conflito entre Israel-EUA contra o Irã, algumas coisas podem passar despercebidas pelo público, mas um olhar atento às entranhas do regime iraniano podemos nos deparar com algumas questões.  Uma delas é a seguinte, a Guarda revolucionária ( Sepah) tem ideologia? Mas qual? Quem é a o seu mentor? Não é o Khomeinismo? Bom, essas são perguntas interessantes, mas que não podemos responder de imediato sem uma breve exposição de alguns fatos, dentre eles a verdadeira ideologia que molda a guarda. Estamos falando da influência do filósofo iraniano Ahmad Fardid, figura bastante desconhecida, mas que possui profundas influências nas instituições militares do Irã, figuras proeminentes como Ahmadinejad segue os seus ideais.  As origens de sua influência remontam a revolução de 1979, embora  Khamenei e seu gabinete tenham tentado organizar as massas no Sepah e suas organizações afiliadas, como a Basij e a polícia local, o governo iraniano não tem a organização e outros...

Trump e um atoleiro chamado Irã

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Um dos principais aspectos da atual gestão de Donald Trump é restaurar forte ação belicista e interventora contra o Irã.  Para Trump, deve-se remover  todas as restrições de Israel em sua luta contra "grupos terroristas" apoiados pelo Irã. Segundo Trump, o governo Biden forçou Israel a lutar contra o Hamas com uma mão "amarrada nas costas", ameaçando reter armas e munições de Israel se não conduzir operações militares da maneira que a Casa Branca quer que faça.  Nos últimos dias Trump e Israel decidiram então atacar fortemente o Irã, com amplo bombardeio e operações de decapitação de lideranças, sabotagem e afi s.  O grande problema é o seguinte, até que ponto isso foi algo plausível? É possível destronar lideranças do Irã e promover um domínio direto do país por uma intervenção sem uma guerra sanguinolenta? Eis o erro de Trump e Israel. Na sociologia política o Irã pode ser visto como um "Estado-guarnição" um  regime híbrido  que combina estruturas ditas...

Nunca subestime a FORTUNA

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Não existe dúvidas que  Maquiavel é uma das figura mais importante da ciência política, realismo, pessimista  antropologico, afins.  Maquiavel, um homem renascentista, servira à República Florentina entre 1498 e 1512 na qualidade de segundo secretário. esse período, envolveu-se em ações de diversos tipos e se transformou num dos auxiliares mais próximos da principal  figura política da cidade, Piero Soderini. De missões ao exterior.  Mas, esse texto não é uma biografia de Maquiavel, mas uma lição: NUNCA SUBESTIME A FORTUNA! O mestre Florentino ensina, se de um lado temos a liberdade dos homens, do outro encontra-se o que ele chama de fortuna.  É dessa forma, no lugar de um mundo governando pela vontade dos homens e pela "divina providência", surge um mundo dividido entre nossa capacidade de agir  ou a nossa  (virtù) e a ( fortuna), que nada mais é do que o próprio destino, a inconstância do mundo, comparada a um rio torrencial que, quando enfureci...

O delírio da Super ou Hipermodernidade

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Na história e na filosofia o tempo pode ser definido de várias formas, as vezes como tempo é a medida do movimento e da mudança, definido como a contagem do "antes" e do "depois, dizia Aristóteles, ou quando dizia Newton descreveu como uma grandeza constante que flui uniformemente, independente de qualquer coisa externa ou movimento no universo. Na filosofia pós moderna um autor como Deleuze poderia definir o tempo da seguinte forma:: "O tempo é o Aion, que é o tempo do acontecimento incorpóreo, o tempo do sentido que se estende ao passado e futuro, indiferente aos acontecimentos contigentes do mundo." O tempo da Hipermodernidade segundo Giles Lipovetsky define-se como:  Na sociedade hipermoderna  o tempo é cada vez mais vivido como preocupação maior, a sociedade em que se exerce e se generaliza uma pressão temporal crescente” Hipermodernidade faz parte de uma sociedade liberal, caracterizada pelo movimento, pela fluidez, pela flexibilidade; indiferente como nu...

O principal erro da escola Austríaca.

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É possível pensar qualquer método cientifico a partir de algum Apriorismo? bom na história da filosofia, a famosa  distinção entre conhecimento a priori e a posteriori se estabeleceu como  uma distinção entre modos de conhecer. Dizer que conhecemos independentemente da experiência, significa dizer que temos um conhecimento a priori. Por exemplo, a proposição de que dois mais dois é igual a quatro, ou a de que chove ou não chove, são proposições que podemos conhecer independentemente da experiência, ou pelo do pensamento apenas. Durante a historia do pensamento, essa noção ganhou forte relevância a partir de Immanuel Kant que equacionou-a com a de necessidade estabelecendo a seguinte equivalência: uma proposição é conhecível à priori se, e só se, for necessária.  Uma das bases do pensamento austríaco está exatamente nesse apriorismo, a praxeologia, a TACE, tudo ou quase tudo está pautado dentro desse esquema.  Mas, esses pressupostos começaram a serem questionados pós...

Como a CIA manipulou e destruiu o trabalhismo no Brasil

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Para o cientista político e jurista italiano Norberto Bobbio, a teoria das Elites ou elitista se configura segundo a qual, em toda a sociedade existe uma minoria que, por várias formas, é detentora do poder, em contraposição a uma maioria que dele está alheia, amorfa e privada desse processo. Uma vez que, entre todas as formas de poder entre aquelas que, socialmente, são mais importantes estão o poder econômico, o poder ideológico e o poder político. A teoria das Elites nasceu e se desenvolveu por uma especial relação com o estudo das Elites políticas, e ela pode ser redefinida como a teoria segunda a qual, em cada sociedade, o poder político pertence sempre a um restrito círculo de pessoas, portanto; o poder de tomar e de impor decisões válidas para todos os membros do grupo, mesmo que tenha de recorrer à força, em última instância. Em toda sociedade é dividida em governantes e governados uma concepção realista da política. Podemos notar isso nos trabalhos de um Gaetano Mosca, Saint-S...